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Gregório Taumaturgo de Azevedo

Atualizado: há 2 dias

Arquivo pessoal de Ramon Vieira de Carvalho - Imagem gerada por IA com base em imagens reais.
Arquivo pessoal de Ramon Vieira de Carvalho - Imagem gerada por IA com base em imagens reais.

Gregório Taumaturgo de Azevedo nasceu na Vila de Barras do Marataoan-PI, a 17 de novembro de 1853. Primeiro Governador Republicano do Piauí. Estadista. Militar. Político. Marechal do Exército. Engenheiro militar e Bacharel em Direito. Governou o Piauí no período de 26-12-1889 a 04-06-1890. Governador do Amazonas de 01-09-1891 a 27-12-1892.

Implantada a República, o general Deodoro da Fonseca nomeou novos governadores para as antigas Províncias que passaram a se denominar Estados. No Piauí foi investido o major Gregório Taumaturgo de Azevedo. Teve como secretário de governo o notável jurista Clóvis Bevilaqua.

O Piauí encontrava-se num caos total. A corrupção reinava em todo o Estado. As finanças arruinadas. A corrupção administrativa era uma constante na vida pública provincial. Tinha, portanto, uma missão árdua e difícil de cumprir. Taumaturgo vinha imbuído dos mais sublimes propósitos de pacificar e unir os piauienses em prol do soerguimento do Estado. Na sua proclamação ao povo, por ocasião de sua posse, ele assim se expressa:

"Ordem e Progressos é a bússola do bem e do direito, a paz e a justiça inflexível, a seleção do talento, do mérito e da probidade, o auxílio aos acometimentos legítimos e às aptidões provadas, o banimento do patronato elevado à altura de um princípio corruptor de caracteres, o respeito perene à autoridade constituída e toda expansão possível da liberdade a par de uma ação enérgica repressora da anarquia ou violência, da linguagem desenfreada, do roubo, do homicídio e dos vícios que definham o físico e deprimem a moral; é o melhoramento incessante da indústria, da agricultura, do comércio, da moralidade, da civilização, do bem-estar e da felicidade, enfim, do nosso Estado. São estes os mais ardentes votos a realizar nesta terra a que se prendem o meu braço, a minha família e as mais justas aspirações de meus patrícios."

A sua proclamação não teve receptividade junto aos partidos políticos e à imprensa. Dos políticos veio a tergiversação, o indiferentismo; a imprensa assumiu logo um caráter hostil aos nobres propósitos do novo governador.

Taumaturgo organizou a sua equipe de governo à base do mérito, do talento e da probidade. Lançou-se resolutamente a bem administrar o Estado, procurando sanear as finanças, organizar o ensino, manter a ordem, finalmente, desenvolver todos os setores de atividades. Desprezou e despreocupou-se das intrigas e conspirações políticas. Inesperadamente, é chamado ao Rio de Janeiro, viajando a 4 de junho de 1890, donde não mais retornou.

José de Arimathéia Tito assim narra a sua saída do governo: As competições do mando, causa eficiente da luta dos partidos, deixaram reinante a desarmonia da grande família piauiense. Enojaram tais causas ao cidadão ilustre, ao patriota esclarecido, ao novel estadista, que não quis fazer-se pressor dos conterrâneos. Insubmisso às conveniências, alheio aos processos injustos, contrário às paixões retrocedentes, pediu logo, e voluntariamente, sua exoneração, que recusada por Deodoro; mas, afinal, concedida depois que o honrado governador decidiu solicitá-la na própria cidade do Rio de Janeiro, mostrando o caráter irrevogável e firme de seu intento.


Atos e fatos da administração de Taumaturgo de Azevedo no Piauí:

Elevação à categoria de cidade das vilas de Barras, União, Campo Maior e Piracuruca (Dec.nº 1, de 28-12-1889). As vilas de Jaicós e Valença são elevadas à categoria de cidade (Dec. nº 3, de 30-12-1889). Mudança do nome da vila de Humildes para Alto Longá (Dec. de 20-01-1889). Nomeação de Joaquim Nogueira Paranaguá, Teodoro Alves Pacheco e Mariano Gil Castelo Branco, vice-governadores do Piauí (Dec. de 11-01-1890). A vila de Marvão muda o seu nome para Castelo (Dec.de 20-07-1890). Extinção da Companhia Policial do Estado e criação da Guarda Republicana. Organização do 35º Batalhão de Linha. Dotação na sua administração de um orçamento – fixação da despesa e previsão da receita. Obtenção de um empréstimo da União de 600 contos de réis para pagamento da dívida do Estado e outras verbas para a exploração da foz do rio Parnaíba, e para outras obras, entre as quais a construção de um teatro. Iniciou a nivelação e arborização das ruas. Planejou a construção de uma avenida de 2 quilômetros de extensão, ligando o rio Parnaíba até o rio Poti.

Cesário Alvim, um dos principais ministros do Presidente Deodoro da Fonseca, pronunciando-se a respeito do pedido de exoneração de Taumaturgo, passou o seguinte telegrama ao governador do Piauí: “Vossa susceptibilidade é de caráter nobre e, longe de estranhá-la, aplaudo-a. Continuais a gozar de toda a confiança do governo, que conta com o vosso patriotismo na administração desse Estado, posto de sacrifício e de benemerência”.

Já demissionário no Rio de Janeiro do governo do Piauí, foi-lhe oferecido o governo do Paraná. Recusou o convite. Na mesma época aceitou a solicitação do dr. Francisco Portela, piauiense, governador do Estado do Rio de Janeiro, para dirigir o Departamento de Obras do Estado. Depois disso ofereceram-lhe o governo do Amazonas. Ficou, todavia protelando a sua posse. Aguardava em Recife o resultado de sua eleição para o governo do Amazonas. Eleito, assumiu o Executivo amazonense em 01-09-1891. Com a queda do marechal Deodoro, Taumaturgo foi deposto em 27-02-1892.

Em 30-04-1892, sendo preso como conspirador pelos seguidores de marechal Floriano Peixoto, foi reformado e deportado para a fortaleza de São Joaquim do Rio Branco, em companhia do coronel Mena Barreto e outros. Anistiado, reverteu aos quadros do Exército no posto de coronel. No mesmo ano foi nomeado chefe da Comissão de Limites com a Bolívia, da qual foi exonerado, a pedido, em 1897, em virtude de fortes discordâncias com as idéias do ministro do Exterior, general Dioniso Cerqueira, por este persistir em advogar os interesses bolivianos contra os do Brasil. A este notabilíssimo rasgo patriótico é que a República Brasileira deve o domínio em que hoje se acha do feracíssimo Território do Acre, que é a região mais rica em borracha de todo o mundo.

O trecho seguinte do relatório que o coronel Taumaturgo elaborou nessa ocasião, desenha sinteticamente a magna questão: “Devo informar-vos de que a Amazônia irá perder a melhor zona de seu território, a mais rica do seu território e a mais produtiva, porque, dirigindo-se a linha geodéstica de 10º20’ a 7º1’ e 17º5, será muito inclinada para o norte, fazendo-nos perder o Alto rio Acre, quase todo o Yaco e Alto Purus, os principais afluentes do Juruá e, talvez, o do Jutaí e do próprio Javari, rios que nos dão a maior porção de borracha exportada por brasileiros. A área dessa zona é maior que 5.870 léguas quadradas”.

Taumaturgo é estadista que merece ser reverenciado por todos os brasileiros pelo muito que fez na defesa da integridade territorial e política do Brasil.


Funções e Honrarias

“Comendador das Ordens da Rosa e do Cristo; Cavaleiro da São Bento de Aviz; sócio remido dos Institutos Politécnicos, Histórico e Geográfico Brasileiro; sócio honorário, dos Institutos Arqueológico e Geográfico pernambucano; sócio correspondente da Real Academia Hispano-Americana de Ciências e Artes, de Cadiz; dos Institutos do Ceará, Geográfico e Histórico da Bahia, da Paraíba e do Piauí; da Associação da Imprensa de Santiago do Chile; da de Manaus, dos Advogados de Lisboa e do Ateneu de Guatemala; membro da Sociedade Acadêmica de História Internacional de Paris, com o diploma “L’étoile d’Or”, da Sociedade Nacional da Cruz Vermelha Cubana, com faixa e grande placa de honra ao mérito: fundador e presidente da Cruz Vermelha Brasileira. Prefeito do Alto Juruá; fundador da cidade de Cruzeiro do Sul; comandante da Região Militar da Bahia e da Brigada Policial do Rio de Janeiro; portador das medalhas de ouro da República Brasileira e Simão Bolívar, da Venezuela”. (Literatura Piauiense – João Pinheiro).

É patrono das cadeiras nº 29 e 7, respectivamente, da Academia Piauiense de Letras e da Academia de Letras do Vale do Longá.


Elevação à categoria de cidade

Criada a Freguesia e a Comarca, Barras estava com uma estrutura merecedora de foros de cidade. Tinha uma ampla e bela igreja, sobrados, ruas delineadas, Paço Municipal, Cadeia, Mercado Público, Casa Paroquial, serviços de Correios e Telégrafos, bom comércio e indústria. Estava assim talhada para lutar e crescer para as sendas do porvir. Sua população era de 2.859 habitantes. Não custou a concretização desse ideal a que fazia jus. Um barrense, o marechal Gregório Taumaturgo de Azevedo, então Governor do Piauí, decretou, num ato de justiça, a sua elevação à categoria de cidade.

Decreto nº 1, publicado em 28 de dezembro de 1889, em que a vila de Nossa Senhora da Conceição de Barras recebeu o foro de cidade:

“Eleva à cidade de Barras, União, Campo Maior e Piracuruca, tomando a primeira a denominação de Barras do Marataoan”.

Gregório Taumaturgo de Azevedo, Bacharel em Matemáticas e Ciências Físicas, Engenheiro Militar, major do Corpo de Engenharia, Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Direito de Recife, Comendador das Ordens de Rosa e de Cristo, Cavaleiro de São Bento de Aviz, Condecorado com a medalha de 4ª classe do Busto de Libertador Simão Bolívar e Governador Provisório do Piauí:

Considerando que as vilas de Barras, União, Campo Maior e Piracuruca, pelo desenvolvimento geral do comércio e indústria, e pelo considerável aumento de sua população, a que foi conferida a categoria de cidade, resolve em virtude de atribuições que lhe confere o decreto nº 7, de 20 de novembro último:

Artigo 1 – Eleva as mencionadas Vilas à categoria de cidade, tomando a de Barras a denominação de Barras do Marataoan.

Artigo 2 – Revogadas as disposições em contrário.


Comentários

Taumaturgo é estadista que merece ser reverenciado por todos os brasileiros pelo muito que fez na defesa da integridade territorial e política do Brasil. O grande escritor e historiador Goycochea assim fala da atuação do notável homem público na acirrada questão do Acre com a Bolívia.


Taumaturgo de Azevedo foi o paladino inexcedível. Foi o braço que executa com valença e oportunidade. (Plácido de Castro)


Foi a habilidade e a energia que decidiu em favor do Direito. (Rio Branco)


Somaram-se, completaram-se, uniram-se no mesmo espírito, tornando-se os homens representativos do Acre, os guardiões da civilização da América Meridional.


Taumaturgo de Azevedo faleceu no Rio de Janeiro-RJ, em 29 de agosto de 1921.


Fonte: Biografia retirada do livro: Vultos da história de Barras de Wilson Carvalho Gonçalves, 1994.

 
 
 

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