Matias Olímpio de Melo
- Ramon Vieira de Carvalho

- há 2 dias
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Matias Olímpio de Melo nasceu em Barras do Marataoã-PI, em 15 de setembro de 1882. Governador do Estado. Magistrado, jornalista, político e escritor. Bacharel em Direito pela Faculdade do Recife (1904). Terminado o curso de Direito, regressou à sua terra natal sendo nomeado promotor público de Teresina, graças ao prestígio de seu pai, que era deputado estadual. Secretário de governo em três administrações no Piauí. Matias Olímpio de Melo e Cândido Ferreira de Sousa Martins, eleitos sob a legenda do Partido Republicano, respectivamente, governador e vice-governador do Estado, tomaram posse dos seus cargos, no dia 1º de julho de 1924, para um mandato de quatro anos.
O novo governador encontrou o Estado com sua vida perturbada pelas violências no Sul do Estado, conflitos esses que degeneraram em formação de bandos de cangaceiros armados, que saqueavam e punham em desassossego as populações indefesas. Matias combateu o banditismo com firmeza e resolução, restabelecendo a ordem pública. O Piauí teve, também, no seu novo governo, a invasão do seu território pela famosa Coluna Prestes, chefiada por Luís Carlos Prestes, Juarez Távora, Cordeiro Farias, Siqueira Campos, João Alberto e outros revolucionários. Teresina ficou num estado de sobressalto, cheia de medo e insegurança. “... o governador, na calamitosa emergência, não foi só o poder, firme, inquebrantável. Foi a autoridade máxima no instante incerto”. Arregimentou a defesa da capital. A Coluna Prestes fracassara. Um dos seus principais chefes foi preso em Teresina. Volta o Piauí à tranqüilidade, restabeleceu-se a paz e a segurança da população.
Fatos importantes de sua administração
Elevou a alto nível a instrução pública, remodelando o ensino; instalou o governo no Palácio de Karnak; incentivou a fundação do Banco Agrícola que, com os anos, se transformou no Banco do Estado do Piauí; deu proteção à cera de carnaúba; construiu estradas; fomento ao plantio de algodão.
O Político
Em 1945, com a queda de Getúlio Vargas, volta o país ao caminho da democracia. Apareceram várias agremiações partidárias. Numa delas - a UDN - ingressou Matias Olímpio e logo era escolhido como candidato ao Senado. Elegeu-se, permanecendo no Congresso Nacional como senador por duas legislaturas, no período de 02-02-1946 a janeiro de 1963. Recolheu-se à vida privada, falecendo em 1967.
O Magistrado
Iniciou a sua carreira na magistratura em 1911, como Juiz Municipal de Sena Madureira, no Território do Acre, sendo depois promovido a juiz federal da comarca de Tarauacá, no referido Território. Regressa ao Piauí, após ter sido juiz federal na Bahia (1931-1937). Matias Olímpio cultivou o Direito, a lei e a justiça para servir aos ideais mais sublimes da sociedade. “Da sua magistratura em terras baianas, desempenhada com critério e irrecusável senso jurídico-social, publicou elevado número de pronunciamentos, numa laboriosa análise e interpretação de fatos e circunstâncias, amplo apoio doutrinário e jurisprudência. Nele havia sobretudo o cultor consciente do Direito”. Dois volumes compõem essas brilhantes decisões, sob o título Despachos e Sentenças.
O Escritor
Crítico literário percuciente e de perspícua investigação. Conferencista do mais alto conceito, prendia os auditórios pela sua erudição e persuasão. Cronista estudioso de nosso folclore. Jornalista combativo. Escreveu conferências, biografias, folclore, discursos e pareceres jurídicos. Em todas essas searas culturais ele pontificou de modo fulgurante.
Obras publicadas
Pensamento e Ação (Teresina, 1982) – notícias e apreciações sobre nosso folclore; Ensaios, Discursos e Conferências (Rio de Janeiro, 1959), temas de grande alcance social; Rumos e Atitudes, ensaios; Falando e Escrevendo, e Despachos e Sentenças – jurisprudência. Pertenceu à Academia Piauiense de Letras, da qual foi seu presidente (1924-1929). Patrono da Cadeira nº 13 da Academia de Letras do Vale do Longá.
Comentários
Prosador, conferencista, ensaísta e sociólogo, encantanos igualmente no folhetim leve e humorístico, lembrando França Júnior e Celso Magalhães, na habilidade com que retrata, em linhas vivas e traços fortes, tipos, usos e costumes. “[...] onde censurava os erros e as injustiças, proclamando reformas sociais, em seus azedos comentários. Ao escalpelar a sociedade dava, em seus escritos, o tom de uma filosofia imbuída dos ideais da Revolução Francesa. No que redigia havia algo de convencional. Investia contra o rançoso clericalismo. Ingressara na maçonaria à busca de trincheira. Pregava, à bandeira desfraldada, a liberal-democracia.” (Higino Cunha).
Matias Olímpio de Melo faleceu em Teresina-PI, em 28 de junho de 1967.
Fontes consultadas: GONÇALVES, Wilson Carvalho. Roteiro Cronológico da História do Piauí. Teresina, 1996. Editora Júnior Ltda.
MELO, Matias Olímpio de. Ensaios, Discursos e Conferências. Rio de Janeiro, 1959.



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