Leônidas de Castro Melo
- Ramon Vieira de Carvalho

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Leônidas de Castro Melo nasceu em Barras-PI, em 15 de agosto de 1897. Piauiense do Século. Este notável homem público nasceu em Barras, na Rua Grande, hoje Taumaturgo de Azevedo, a 15 de agosto de 1897. Os pais: Regino Lopes de Melo e Maria Florença de Castro Melo. Fez estudos primários em sua terra natal, na escola do professor Antônio de Freitas e Silva e no “Ateneu São José”, dirigido pelo Dr. José de Arimathea Tito. Em 1912, transferiu-se para Teresina, matriculando-se no “Instituto 21 de Abril”, dirigido pelo Dr. Antônio Carvalho Filho. Após a conclusão dos seus preparatórios na capital, seguiu para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Faculdade de Medicina, no ano de 1914. Diplomou-se em 1920, regressando à terra natal em 15 de abril de 1921. No mesmo ano, fixa residência em Teresina, tornando-se, num pequeno espaço de tempo, um dos mais renomados médicos do Piauí.
Piauiense do Século
Categoria Medicina e Saúde, eleito em pleito realizado em 19 de janeiro de 2000, promovido pela TV Cidade Verde. Prêmio justíssimo. A história é a mestra da vida. Foi a justiça de Deus na voz do povo. Para os grandes homens, para os que souberam honrar o seu nome e o da sua terra, não há melhor julgamento. E os de hoje reverenciam com justiça o nome de Leônidas Melo. É esse o melhor galhardão. Médico de renome, teve esta posição graças à sua inteligência, capacidade e alto espírito humanitário no exercício da medicina. No seu coração aninhava-se a solidariedade humana.
O Professor
Mestre por vocação e princípio, com palavra fluente e persuasiva aliada ao profundo conhecimento e domínio da disciplina que ministrava, polarizava o entusiasmo e interesse dos seus discípulos. A comunicação e a interação do mestre levavam os mais complexos assuntos ao mais pleno nível de compreensão dos alunos, dispensando-os do trabalho de consultarem compêndios. Homem da mais rija personalidade moral, simples, probo, prudente, conduta retilínea, respeitável padrão de homem público, a quem o Piauí muito deve, sobretudo, pelo exemplo de compostura e dignidade sob os quais pautou toda a sua vida.
Barras do Marataoã, a terra dos governadores, berço estelar fecundo de inteligências privilegiadas e de valores intelectuais excepcionais, tem a figura de Leônidas de Castro Melo nesta constelação; é a estrella mais fulgurante que, numa sinergia de luzes, lança os raios luzentes sobre o majestoso Marataoan, que os mira e os reflete orgulhosamente para todo o Brasil.
O Político
Leônidas Melo iniciou a carreira política como membro do Conselho de Intendência de Teresina (1929-1932). Perdeu o mandato com a Revolução de 1930, que dissolveu os Conselhos de Intendência. Foi um dos fundadores do Partido Nacional Socialista (PNS), cujo chefe era o Interventor Landri Sales Gonçalves. Candidatou-se, a título de fortalecer a legenda do seu partido, concorrendo a uma cadeira de deputado da Assembléia Nacional Constituinte (1933). Não se elegeu, todavia conseguiu uma expressiva votação: 3.053 votos.
Hugo Napoleão do Rego, candidato pelo partido da oposição, com apenas 2.713 votos foi considerado eleito porque a legislação eleitoral vigente dispunha que o candidato mais votado do partido minoritário estaria automaticamente eleito. O resultado da votação de Leônidas de Castro Melo traduziu um tom bem alto do conceito que este homem público desfrutava na sociedade, que serviu de respaldo para sua nomeação de Secretário-geral do Estado (1933).
Governador do Estado, eleito pelo sistema de votação indireta, realizada pela Assembléia Estadual Constituinte, em 22 de abril de 1935. A sua posse ocorreu em 3 de maio de 1935. Com o advento do Estado Novo, foi confirmado no cargo, transformado em Interventor Federal, ficando nas funções até 9 de novembro de 1945.
Em pleito realizado em outubro de 1950, elegeu-se deputado federal na legenda do PSD, partido do qual era presidente, sendo o candidato mais votado entre os candidatos de todos os partidos (1951-1955). Em outubro de 1954, é eleito senador da República na legenda da Aliança Democrática Trabalhista, constituída pelo PSD e PTB, para um mandato de oito anos (1955-1963). Nenhum político governou o Estado no período republicano por mais tempo do que Leônidas Melo (03-05-1935 a 09-11-1945).
A sua administração foi fundamentalmente voltada para a educação e a saúde. Concluiu a construção do “Liceu Piauiense”, hoje Colégio Estadual “Zacarias de Góes”, de Teresina, e criou em cada município existente um Grupo Escolar. No setor de saúde pública, foi construído o majestoso Hospital “Getúlio Vargas”, considerado na época a maior unidade médico-hospitalar do Nordeste. Incentivou as letras.
Atos e Fatos Políticos
Instituição da Lei Orgânica dos Municípios (Lei nº 39, de 21 de novembro de 1935); criação da Câmara de Expansão Comercial do Estado (Decreto nº 1.706 de 1º de outubro de 1936); regulamento da Inspetoria Geral de Veículos (Decreto nº 1.696, de 13-02-36); ampliação da rede de Abastecimento d’água de Teresina; construção da primeira ponte de madeira sobre o Rio Poti (1936); criação da Comarca de Esperantina (Decreto nº 1.400, de 24 de janeiro de 1937); institution do dia 19 de outubro como o Dia do Piauí; reforma da Organização Judiciária (Decreto nº 40, de 23-11-1935); construção das pontes sobre os rios Surubim, Marataoan e Piracuruca; elevação à categoria de cidade das vilas de Porto Seguro, Ribeiro Gonçalves e Luís Correia (Decreto nº 107, de 26-07-1938); construção da estrada Teresina - Campo Maior, Barras - Esperantina; criação do Conselho Técnico de Economia e Finanças (Decreto nº 80, de 15-06-1938); início da construção do Hotel Piauí, hoje Luxor Hotel; subversão comunista (1935); instalação e inauguração do serviço automático de telefone (1937); criação do Aeroclube do Piauí; instalação da Legião Brasileira de Assistência, cuja primeira presidente foi a senhora Maria do Carmo de Castro Melo; criação do Corpo de Bombeiros (1944); criação das Dioceses de Parnaíba e Oeiras; inauguração da Escola de Aprendizes Artífices, hoje Escola Técnica Federal do Piauí.
Outras funções e cargos exercidos por Leônidas Melo: Delegado do Serviço Industrial Pastoril (1921); Chefe do Dispensário do Serviço Nacional da Lepra e Doenças Venéreas (1929); professor e Diretor do “Liceu Piauiense”; Diretor da Escola Normal “Antonino Freire”; executor das Medidas de Guerra no Piauí; Presidente do Tribunal de Contas do Piauí e membro do Conselho Superior das Caixas Econômicas.
Obras publicadas
Trechos do Meu Caminho, memórias, e Geração Espontânea. É Sócio Benemérito da Academia Piauiense de Letras. Patrono das Cadeiras nº 19 e 22, respectivamente, da Academia de Letras do Vale do Longá e da Academia de Medicina do Piauí.
Comentários
“Fui parte saliente da luta de três homens contra uma ditadura. Juiz, fui rudemente atingido pelo seu poder pessoal e em defesa, no ardor da peleja, naturalmente cometi excessos... Não mantenho relações pessoais. Mas isso não importa nem me impede de dizer nesta coluna que ele é homem que se retirou da vida pública com dignidade, portando uma pobreza elegante, eminentemente honrosa, depois de ter sido ditador e governador do seu Estado por dez anos consecutivos. Faço-lhe a justiça de julgá-lo um homem honrado, digno e honesto. É o depoimento de quem preza o justo e tem culto à verdade. Completando o seu mandato de senador em 1963, recolheu-se à vida privada cercado do acatamento e da simpatia de seus coestaduanos." (Simplício de Sousa Mendes)
Homem de excepcional cultura humanística, jornalista combativo, desembargador, adversário ferrenho do Interventor, pois foi, juntamente com dois colegas do Tribunal de Justiça, aposentado sumariamente, narrado num editorial publicado num jornal da capital, sob o título “Dr. Leônidas Melo”.
Leônidas de Castro Melo faleceu em Teresina-PI, em 25 de maio de 1981.



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